O café é uma das principais forças econômicas do Espírito Santo, movimentando uma extensa cadeia que vai da produção agrícola ao consumo final. Segundo o relatório do Connect Fecomércio-ES, o estado é o maior produtor brasileiro de café conilon, com cerca de 65% da produção nacional, e o segundo maior produtor de café do país. São aproximadamente 425 mil hectares cultivados, 60 mil propriedades e 131 mil famílias envolvidas na atividade.
Além da relevância econômica, a cafeicultura tem forte dimensão social: cerca de 73% dos produtores pertencem à agricultura familiar, o que amplia o impacto na geração de renda e na permanência das famílias no campo. O café está presente em todos os municípios capixabas, exceto Vitória, e dois terços das propriedades agrícolas do estado cultivam a planta.
A verdadeira dimensão econômica aparece quando se observa a cadeia de valor: após a produção, o café passa por beneficiamento, armazenagem, transporte, industrialização, exportação e comercialização, chegando ao consumidor por meio de cafeterias, restaurantes, hotéis e supermercados. Em cada etapa, incorpora serviços, tecnologia, empregos e renda, funcionando como um multiplicador econômico.
Um exemplo dessa dinâmica é o preço de uma xícara de café em uma cafeteria especializada, muitas vezes superior ao valor do grão na origem. Essa diferença reflete o trabalho de logística, torrefação, embalagem, marketing e atendimento, que transformam o produto em uma experiência de consumo e distribuem renda para além das regiões produtoras.
Segundo o relatório, durante a colheita de 2025, o cultivo do café respondeu por mais de oito mil novos postos formais de trabalho entre abril e maio, o maior saldo para o período desde o início da série histórica do Novo Caged. Isso demonstra o papel decisivo da atividade na economia do interior capixaba.
Novas oportunidades surgem com a valorização de qualidade, origem, sustentabilidade e experiências de consumo. O estado tem condições privilegiadas para aproveitar esse cenário, com liderança no conilon, produção de arábica nas montanhas, agricultura familiar forte e parque industrial em crescimento. Investir em industrialização, exportação de processados, café solúvel e turismo de experiência pode aumentar a retenção de valor no Espírito Santo.
Para empresários e trabalhadores locais, a mensagem é clara: o café não é apenas um produto agrícola, mas uma atividade que integra setores, gera empregos e impulsiona o desenvolvimento regional. Quanto mais etapas da cadeia permanecerem no estado, maior será a geração de renda e arrecadação para os municípios.
