O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) alertou que a Copa do Mundo pode intensificar a exposição da população à publicidade de apostas online, conhecidas como bets. Segundo o instituto, eventos esportivos de grande apelo emocional atraem não apenas apostadores regulares, mas também consumidores ocasionais e pessoas em situação de vulnerabilidade.
A pesquisa da Softswiss indica que as apostas esportivas podem crescer em 50% em relação ao evento anterior, com um potencial de movimentação de cerca de US$ 52 bilhões. O diretor de Operações da Softswiss, Alexander Kamenetsky, destacou que o aumento se deve ao formato ampliado do torneio e à evolução das plataformas de apostas.
Os apostadores brasileiros podem representar cerca de 10% do volume global de apostas, com gastos que já somam R$ 530,21 milhões desde o início da Copa. O Idec expressou preocupação com os impactos sociais e de saúde pública decorrentes da expansão das bets, defendendo que as regras atuais de publicidade são insuficientes para proteger os consumidores.
Ahmed El Khatib, professor da Unifesp, afirmou que a ligação emocional com o futebol é utilizada para incentivar apostas, o que pode levar a um aumento do endividamento e da transferência de recursos. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) relatou que gastos com jogos e apostas resultaram em R$ 143 bilhões em inadimplência no varejo entre janeiro e março de 2023.
El Khatib sugere a criação de um ambiente regulado para as apostas, com campanhas de educação financeira e limites para proteger apostadores. Ele também propõe o uso de inteligência artificial para monitorar comportamentos compulsivos e a transparência nas plataformas de apostas.